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out
09

Pulp Fiction | Para ser ouvido

“Pulp Fiction” continua sendo definitivamente meu preferido do Tarantino. Quis rever o filme antes de escrever o post, pois o que mais me chamara a atenção quando o assisti no cinema foram os diálogos. O que versa sobre as diferenças do Quarterão com queijo nos EUA e na França, onde é chamado de Royale Cheese, de tão trivial, ficou no meu ouvido. Os diálogos são descolados no filme. Descolados decool e descolados das imagens. Assim acontece quando Vicent (John Travolta) e Jules (Samuel L. Jackson) conversam sobre o Quarterão e sobre até que ponto uma massagem nos pés pode ser sensual e, em seguida, protagonizam uma das cenas brutais do filme. Antes de disparar a arma, porém, Jules recita um trecho da… Bíblia (!!!) Um diálogo inusitado também se segue quando o boxeador Butch (Bruce Willis), perseguido pelo traficante que traiu , encontra a namorada num motel. Em vez de discutirem a situação ameaçadora, os dois conversam sobre trivialidades. O mesmo se sucede com o casal assaltante no início do filme, quando, antes da cena do assalto propriamente dita, discutem as melhores formas de se praticar o crime com a banalidade de quem vai escolher uma sobremesa. A trivialidade, o deboche e a acidez com a cultura americana permeiam todo o filme. Um veterano da Guerra do Vietnã é escrachado ao revelar a Butch, ainda menino, que seu pai o encarregara de entregar-lhe o relógio que guardara por anos no… ânus (!!!). Heavy metal da melhor qualidade. Falando em música, a trilha sonora é espetacular. É mais um motivo para o filme ser ouvido.

Ah, já ia esquecendo de mencionar a homenagem que Tarantino faz a Godard. Aliás, não é à toa que sua produtora se chama Band a part, nome de um filme do cineasta francês de 1964 (na verdade, em francês, “Bande à part”). Não me lembro se já o assisti. O fato é que a cena em que Uma Thurman conversa com John Travolta num bar sobre a possibilidade de se sentir confortável depois de um minuto de silêncio a dois é uma referência ao filme francês, em que os três personagens principais se propõem a ficar um minuto sem trocar palavra. O curioso é que Godard declarou ser este um de seus piores filmes.

Por: Adriana Barsotti


1 Resposta para “Pulp Fiction | Para ser ouvido”


  1. 1 Sandro
    27 27UTC janeiro 27UTC 2010 às 23:56

    estamos meio parecidos com gosto por filme, revi pulp fiction semana passada e é impressionante como não cansa rever. Filme inteligente que inovou ou reinventou a montagem dos filmes, muito imitado agora, e sem falar com certeza dos diálogos e trilha que como bom fã tenho em casa e ouço sem parar…
    Muito boas as dicas do site, mas ainda acho a obra prima do Tarantino Cães de aluguel!!!
    VOCÊS SEMPRE COM BOAS DICAS!!!


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Adriana Barsotti e Nathalia Jordão


O blog O Clube do Filme foi inspirado na experiência do livro do canadense David Gilmour. Crítico de cinema, ele propôs ao seu filho sair da escola e assistir a três filmes por semana. Neste espaço, Adriana é David e Nathalia, seu filho. Embora Adriana não seja crítica, nem ela e Nathalia sejam pai e filho, elas são amigas e apaixonadas por cinema. Portanto, estes posts serão movidos pela paixão e pela amizade, não pelo rigor da crítica.

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