26
set
10

Bela da tarde | post extra com participação especial de Julio Trindade

Um grande amigo descobriu Buñuel na tarde chuvosa de um fim de semana. E o encantamento dele com o cinema do diretor levou ao convite para um post especial no @oclubedofilme.

Entre “Belle de Jour” e “Le charme discret de la bourgeoisie”, ele escolheu “Bela da Tarde” para contar um pouco de suas impressões.

“Belle de Jour, considerado a obra-prima de Luis Buñuel, é daqueles filmes que há uma diferença grande de percepção de acordo com o gênero. Não o gênero de filmes – drama, suspense, ação -, é mais simples do que isso: os gêneros masculino e feminino.

A história, a princípio, parece um tanto surreal (se bem que Nelson Rodrigues a assinaria): uma mulher linda – e ponha linda nisso, por favor, para Catharine Deneuve -, com casamento estável, elegante e burguesa (característica que não pode faltar nos filmes franceses de Buñuel) freqüentando, ou melhor, trabalhando num prostíbulo à tarde (jour). E, como ela mesmo admite, sem saber bem o porquê.

Por isso, volto a bater na tecla de que homens e mulheres devem ter uma impressão distinta daquelas tardes. Como só posso falar a partir do ponto de vista masculino, digo que é um filme pra lá de erótico e sensual, sem ser vulgar, além de um roteiro muito bem amarrado, com elementos de suspense e ação. Mas desconfio que para as mulheres a sensação seja um pouco diferente.

De forma alguma quero insinuar que elas (ou vocês) vão bater nos prostíbulos do Centro do Rio de Janeiro às tardes por curiosidade, assim como também nós não vamos paquerar as meninas de doze anos, inspirados em “Lolita”, de Nabokov, adaptado com maestria para as telonas por Kubrick.

Mas assim como a namorada de um amigo meu lhe confessou que sentiu ciúme de Lolita, ao assistir ao filme com ele, “Belle De Jour” inspira reações diferentes de acordo com o lado da cama de onde se dorme. Pena que vi sozinho…”

Blog do Julio: http://invernodejulho.blogspot.com/

Por: Nathalia Jordão


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Adriana Barsotti e Nathalia Jordão


O blog O Clube do Filme foi inspirado na experiência do livro do canadense David Gilmour. Crítico de cinema, ele propôs ao seu filho sair da escola e assistir a três filmes por semana. Neste espaço, Adriana é David e Nathalia, seu filho. Embora Adriana não seja crítica, nem ela e Nathalia sejam pai e filho, elas são amigas e apaixonadas por cinema. Portanto, estes posts serão movidos pela paixão e pela amizade, não pelo rigor da crítica.

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